Safra e Produção

Setor de serviços cai 0,4% em maio por recuo na área de transportes

ResumoO setor de serviços brasileiro registrou queda de 0,4% em maio, conforme dados do IBGE. O recuo foi liderado pelo segmento de transportes, impactado pela desaceleração logística. O setor responde por mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

O setor de serviços, que responde por mais de 70% do PIB brasileiro, registrou queda de 0,4% em maio, segundo o IBGE. O recuo foi liderado pelo segmento de transportes, que sentiu o impacto da desaceleração logística.

Dirce Yamaguchi
Dirce Yamaguchi Repórter de Solo e Regeneração · 15 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Setor de serviços cai 0,4% em maio por recuo na área de transportes

Sabemos que o ritmo da economia não se sente apenas nos números do PIB, mas no movimento das carretas nas estradas e no fluxo de passageiros nos terminais. Foi justamente por aí, pelos transportes, que o setor de serviços registrou uma queda de 0,4% em maio, segundo o IBGE. O dado, divulgado pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), interrompe dois meses consecutivos de alta e acende um sinal amarelo para quem vive da logística e do transporte.

O recuo do setor de serviços em maio foi puxado pelo segmento de transportes, que caiu 1,2% no mês. Esse segmento inclui desde o transporte rodoviário de cargas até o transporte de passageiros, ambos com queda. A PMS do IBGE mostra que, dentro dos transportes, o transporte terrestre recuou 1,5%, enquanto o transporte aquaviário caiu 0,8%. Para quem vive do frete, o dado confirma o que muitos motoristas já sentiam na ponta: a demanda por transporte de mercadorias perdeu força em maio, após um início de ano mais aquecido.

Por que o setor de serviços caiu em maio?

A queda de 0,4% no volume de serviços em maio não foi uniforme. Dos cinco grandes grupos da PMS, três registraram recuo: transportes (-1,2%), serviços de informação e comunicação (-0,3%) e outros serviços (-0,1%). Já os grupos de serviços profissionais, administrativos e complementares (0,5%) e de serviços prestados às famílias (0,2%) tiveram alta.

O peso do transporte rodoviário

O transporte rodoviário de cargas responde por cerca de 60% do volume de transportes na PMS. Quando ele recua, o impacto no índice geral é imediato. Em maio, a queda de 1,5% no transporte terrestre reflete uma combinação de fatores: a desaceleração da indústria no mês anterior, que reduziu a demanda por insumos, e um efeito sazonal de menor movimentação de grãos após o pico da safra de verão. Segundo o IBGE, o transporte de cargas caiu 1,8% em maio, enquanto o de passageiros recuou 0,9%.

O que diz o acumulado do ano?

Apesar da queda mensal, o setor de serviços acumula alta de 2,1% no ano (janeiro a maio de 2026). Em 12 meses, o crescimento é de 3,4%. Ou seja, a queda de maio não reverte a trajetória de expansão, mas indica perda de ritmo. "O setor de serviços continua em patamar elevado, mas a desaceleração é evidente", afirmou o gerente da PMS, Rodrigo Lobo.

Transporte de passageiros: o que explica o recuo?

O transporte de passageiros, que vinha se recuperando com a retomada do turismo e dos deslocamentos urbanos, caiu 0,9% em maio. A queda foi puxada pelo transporte rodoviário coletivo (-1,2%) e pelo transporte aéreo (-0,5%). Segundo especialistas, o recuo pode estar relacionado ao fim do efeito sazonal do feriado de maio (Dia do Trabalhador) e à redução da demanda por viagens de negócios em um cenário de juros elevados.

Como a queda no setor de serviços impacta a economia?

O setor de serviços responde por mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Uma queda de 0,4% em um mês pode parecer pequena, mas, se mantida, compromete o crescimento do PIB no segundo trimestre. O mercado financeiro já projeta um PIB mais fraco para 2026, com estimativas de crescimento entre 2,0% e 2,5%, ante os 3,2% de 2025 projeções PIB 2026.

O que esperar para os próximos meses?

A tendência para o setor de serviços nos próximos meses dependerá de três fatores: a política monetária (a Selic em 9,75% ao ano encarece o crédito e reduz o consumo), o desempenho da indústria (que demanda serviços de transporte e logística) e a safra de inverno (que pode aquecer o transporte de grãos a partir de agosto).

Perguntas Frequentes

O que é a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS)?

É a pesquisa do IBGE que mede a variação do volume de serviços no Brasil. Ela cobre cinco grandes grupos: transportes, serviços de informação e comunicação, serviços profissionais e administrativos, serviços prestados às famílias e outros serviços.

O setor de serviços caiu em maio de 2026?

Sim, o volume de serviços recuou 0,4% em maio de 2026, segundo o IBGE. A queda foi puxada pelo segmento de transportes.

Qual segmento mais contribuiu para a queda?

O segmento de transportes, que caiu 1,2% no mês, foi o principal responsável pela queda do setor de serviços.

O setor de serviços acumula alta no ano?

Sim, apesar da queda em maio, o setor de serviços acumula alta de 2,1% no ano (janeiro a maio) e de 3,4% em 12 meses.

Como a queda dos transportes afeta o frete?

A queda no transporte de cargas (-1,8% em maio) reduz a demanda por fretes, o que pode pressionar os preços para baixo e reduzir a rentabilidade dos transportadores autônomos.

O que pode reverter a queda do setor de serviços?

Uma redução da taxa Selic, uma safra de inverno forte ou uma retomada da indústria podem reverter a queda. O mercado acompanha os próximos dados do IBGE para confirmar se maio foi um ponto fora da curva ou o início de uma tendência.

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