Sustentabilidade

PF apura aporte de R$ 97 mi de previdência de Maceió no Master

ResumoA Polícia Federal apura aporte de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev) em operações com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. A investigação cumpre oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).

PF e CGU cumprem oito mandados de busca e apreensão em AL e SP sobre aplicação de R$ 97 milhões do Iprev de Maceió em operações com o Banco Master, liquidado pelo BC em novembro de 2025.

Anselmo Tavares
Anselmo Tavares Repórter de Cooperativismo Verde · 10 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
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PF apura aporte de R$ 97 milhões de previdência de Maceió no Master

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram, nesta segunda-feira (10), uma operação para aprofundar as investigações sobre supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master.

O Master, pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central (BC). Ao anunciar a medida, o BC informou que o Master havia violado as normas do Sistema Financeiro Nacional e sofria com grave crise de liquidez.

Oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo

Oito mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpridos em cidades de Alagoas e São Paulo. Os agentes federais foram autorizados a apreender computadores, discos rígidos, pendrives, telefones pessoais ou corporativos, documentos físicos, agendas, anotações, contratos, comprovantes financeiros e outros elementos probatórios.

Os alvos incluem endereços residenciais e comerciais ligados aos seis investigados, além das sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.

Quem são os investigados

Entre os investigados estão:

  • João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió, que integrava o Conselho de Administração do Iprev à época dos fatos;
  • Ronnie REYNER Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev;
  • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev;
  • Renan Foglia Calamia, dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado;
  • Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda;
  • Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

Indisponibilidade de bens até R$ 97 milhões

Além de autorizar as buscas, Mendonça decretou a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis, bem como de valores dos seis investigados, até o limite global de R$ 97 milhões.

Suspeitas de gestão fraudulenta em aplicações no Master

Segundo a PF, as suspeitas de possível gestão fraudulenta recaem sobre duas aplicações de recursos do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Master. Em dezembro de 2023, o instituto aplicou R$ 97 milhões. Em maio de 2024, mais R$ 17 mil.

As investigações buscam esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão que antecederam os investimentos.

Papel da consultoria Crédito & Mercado

A PF aponta que a empresa de consultoria foi contratada pelo Iprev e teria participado da condução do credenciamento, da elaboração e da validação de análises e da formação documental das operações junto ao Master. Isso caracterizaria a "terceirização indevida da competência administrativa" do instituto de previdência.

Direcionamento e exposição a risco elevado

Na decisão, o ministro André Mendonça afirma que, ao pedir autorização judicial, a PF assegura ter indícios de "possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida".

"De acordo com a autoridade policial, as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem estudo comparativo de alternativas, análise suficiente de risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação ou motivação concreta para a escolha do Banco Master", assinalou Mendonça.

O que diz o Iprev

Em nota, o Iprev informou que "os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis". Segundo o instituto, o patrimônio passou de cerca de R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que garante "a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas". O Iprev disse ainda que está colaborando com as autoridades.

A reportagem ainda não conseguiu contato com os investigados citados. O espaço segue aberto para manifestação dos interessados.

Perguntas Frequentes

O que é o Banco Master?

O Banco Master é uma instituição financeira que pertencia ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 por determinação do Banco Central, que apontou violação às normas do Sistema Financeiro Nacional e grave crise de liquidez.

Qual o valor total aplicado pelo Iprev no Master?

O Iprev aplicou R$ 97 milhões em dezembro de 2023 e mais R$ 17 mil em maio de 2024 em letras financeiras emitidas pelo Master, totalizando as duas aplicações investigadas.

Quem são os investigados na operação?

São seis investigados: João Felipe Alves Borges, Ronnie REYNER Teixeira Mota, Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, Renan Foglia Calamia, Marília Alexandre de Lima Alves e Marcelo Brasileiro Santos.

O que a PF suspeita?

A PF suspeita de possível gestão fraudulenta, com indícios de direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida.

O Iprev se manifestou?

Sim. O Iprev afirmou que os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos, e que está colaborando com as autoridades.

O que acontece agora?

As investigações seguem em andamento, com análise do material apreendido. Os investigados ainda não se manifestaram publicamente sobre o caso.

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