Sustentabilidade

PF e CGU apuram aplicação de servidores de Maceió no Master

ResumoPolícia Federal e Controladoria-Geral da União investigam a aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev) em operações do Banco Master. A operação cumpriu oito mandados em Alagoas e São Paulo para apurar supostas irregularidades na gestão dos recursos.

PF e CGU realizam operação para investigar supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Iprev em operações do Banco Master. Oito mandados foram cumpridos em Alagoas e São Paulo.

Anselmo Tavares
Anselmo Tavares Repórter de Cooperativismo Verde · 10 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
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PF e CGU apuram aplicação de servidores de Maceió no Master

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram, nesta segunda-feira (10), uma operação para aprofundar as investigações sobre supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master. Oito mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpridos em cidades de Alagoas e São Paulo.

O que a operação investiga

As suspeitas de possível gestão fraudulenta recaem sobre duas aplicações de recursos do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Master. Em dezembro de 2023, o instituto aplicou R$ 97 mil. Em maio de 2024, mais R$ 17 mil. As investigações buscam esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, de cotação, de análise de risco, de governança e de tomada de decisão que antecederam os investimentos.

Quem são os investigados

Os mandados foram expedidos contra seis pessoas ligadas ao Iprev e à consultoria contratada. São eles:

  • João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió, que integrava o Conselho de Administração do Iprev à época dos fatos;
  • Ronnie REYNER Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev;
  • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev;
  • Renan Foglia Calamia, dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado;
  • Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda;
  • Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

O que foi apreendido

Mendonça autorizou os agentes federais a apreenderem computadores, discos rígidos, pendrives e outras mídias; telefones pessoais ou corporativos; documentos físicos, agendas, anotações, contratos, comprovantes financeiros e outros elementos probatórios. As buscas ocorreram em endereços residenciais e comerciais ligados aos seis investigados e também nas sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.

O papel da consultoria

Segundo a PF, a empresa de consultoria foi contratada pelo Iprev e teria participado da condução do credenciamento, da elaboração e da validação de análises e da formação documental das operações junto ao Master. Isso caracterizaria a "terceirização indevida da competência administrativa" do instituto de previdência.

Indisponibilidade de bens

Além de autorizar as buscas e apreensões, Mendonça decretou a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis, bem como de valores de Borges, Mota, Souza, Calamia, Alves e Santos, até o limite global de R$ 97 mil.

O que diz a decisão de Mendonça

Em sua decisão, o ministro André Mendonça afirma que, ao pedir autorização judicial para realizar as buscas e apreensões, a PF assegura ter indícios de "possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida".

"De acordo com a autoridade policial, as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem estudo comparativo de alternativas, análise suficiente de risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação ou motivação concreta para a escolha do Banco Master", assinalou Mendonça, em seu despacho.

O que se sabe sobre o Banco Master

Pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o Master foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central (BC). Ao anunciar a medida, o BC informou que o Master havia violado as normas do Sistema Financeiro Nacional e sofria com uma grave crise de liquidez.

Próximos passos

A reportagem ainda não conseguiu contato com a prefeitura de Maceió, nem com os investigados citados. O espaço segue aberto para manifestação dos interessados.

Perguntas Frequentes

O que é o Iprev?

O Iprev é o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió, responsável pela gestão previdenciária dos servidores municipais.

Quanto foi aplicado no Banco Master?

Segundo a PF, foram duas aplicações: R$ 97 mil em dezembro de 2023 e R$ 17 mil em maio de 2024, totalizando R$ 114 mil em letras financeiras do Master.

O que é a Crédito & Mercado?

É uma empresa de consultoria contratada pelo Iprev que, segundo a PF, teria participado da condução do credenciamento e da formação documental das operações junto ao Master.

O que pode acontecer com os investigados?

As investigações buscam esclarecer possíveis irregularidades. A Justiça decretou a indisponibilidade de bens e valores dos seis investigados até o limite global de R$ 97 mil.

O Banco Master ainda opera?

Não. O Master foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central, após violar normas do Sistema Financeiro Nacional e enfrentar grave crise de liquidez.

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